O imigrante sofre em novas terras. É como se fosse um novo parto. O adulto vira criança e tem de voltar a aprender a engatinhar. As crianças já veem como uma aventura de filme ou livro, que faz a experiência ser mais tranquila, mas sem dúvidas também passam por suas dificuldades e adaptações – e até medo, quem sabe. A verdade é que dói deixar o seu país, familiares e amigos para trás e partir para o estrangeiro, para o desconhecido. Mesmo que seu país tenha múltiplos problemas sociais, guerras e questões que parecem estar longe de qualquer solução, a verdade é que ali está sua zona de conforto, sua terra firme ou fortaleza, onde você já faz parte. Sair dali e ir para o estrangeiro sem conhecer a língua nativa, os problemas do novo lugar, sem conhecer pessoas é um grande ato de coragem. O imigrante é um guerreiro, que deixou sua casa, família e foi para a batalha. Suas armas são a esperança, a humildade e o pensamento positivo, a braveza de saber que terá muitas quedas e tropeços – mas que vai conseguir se levantar e continuar na batalha até vencer. Essa esperança que o faz levantar é a mesma esperança que o faz ver o lado positivo de cada experiência, positiva ou negativa, de ser imigrante.
As experiências que ele vai ganhar a cada dia neste novo lugar que um dia ele irá, ou não, chamar de “sua casa”; o legado que ele deixará na sua própria vida, para seus filhos e netos, de ter sido um guerreiro na batalha da vida; que não desistiu ao sentir medo ao olhar nos olhos do futuro – que para o imigrante é incerto; as batalhas contra o preconceito, a exploração (digo em termos de trabalho e salários) e as incertezas que vão sendo vencidas aos poucos. O fato de ter um emprego melhor que o que tinha em seu país, a sensação de segurança, uma escolaridade melhor são alguns dos fatores que o imigrante busca ao sair de casa. Mas sem dúvida alguma a experiência de vida é a melhor parte de ser imigrante. As lições de vida que aprendidas, que muitas vezes doem e machucam, também fazem crescer e abrir a mente, fazem rir, criar alegria, nos fazem sorrir. Os amigos que irão surgir, a nova língua que um dia será fluente, uma nova cultura – que talvez nunca iremos aderir à ela, mas que sem duvidas irá nos abrir a mente. Em suma, sermos pessoas mais receptíveis aos outros, ao “diferente”.
Isso é a imigração, que faz com que o ser humano cresça, como se tivesse saindo do ventre de sua mãe pela segunda vez em sua vida. E como na primeira vez, dói. Porém, logo a dor passa e começa o crescimento. Batalhar contra todas as adversidades, sempre sendo positivo e se alegrar com os novos amigos, as novas aventuras que formam um legado na vida de cada imigrante, de cada guerreiro. Para o imigrante, o mundo não tem fronteiras.



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